Augusto de Campos
 

Augusto de Campos 

O Vivo  

Não queiras ser mais vivo do que és morto. 
As sempre-vivas morrem diariamente 
Pisadas por teus pés enquanto nasces. 
Não queiras ser mais morto do que és vivo. 
As mortas-vivas rompem as mortalhas 
Miram-se umas nas outras e retornam 
(Seus cabelos azuis, como arrastam o vento!) 
Para amassar o pão da própria carne. 
Ó vivo-morto que escarnecem as paredes, 
Queres ouvir e falas. 
Queres morrer e dormes. 
Há muito que as espadas 
Te atravessando lentamente lado a lado 
Partiram tua voz. Sorris. 
Queres morrer e morres. 
 

Fonte: Jornal de Poesia


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