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Gonçalves Dias ![]()
1823 - 1864I-JUCA-PIRAMACANÇÃO DO EXÍLIO
Kennst du das land,wo die citronen
[blühen,
Im dunkeln laub die Gold-Orangen
[glühen?
Kennst du es wohl? - Dahin, dahin!
Möcht'ich... zienhn.*
GOETHE
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
as aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.*"conheces a região onde florescem os
limoeiros?/laranjas de ouro ardem no
verde escuro da folhagem;/conheces bem?
Nesse lugar/eu desejara estar."
Coimbra - julho 1843.
ROSA NO MAR!
Rosa, rosa de amor purpúres e bela,
Quem entre os goivos te esfolhou da campa!
GARRET
Por uma praia arenosa,
Vagarosa
Divagava uma Donzela;
Dá largas ao pensamento.
Brinca o vento
Nos soltos cabelos dela.Leve ruga no semblante
Vem num instante,
Que noutro instante se alisa;
Mais veloz que a sua idéia
Não volteia,
Não gira, não foge a brisaNo virginal devaneio
Arfa o seio,
Pranto ao riso se mistura;
Doce rir dos céus encanto,
Leve pranto,
Que amargo não é, nem dura.Nesse lugar solitário,
- Seu fadário -
De ver o mar se recreia;
De o ver, à tarde, dormente,
Docemente
Suspira na branca areia.Agora, qual sempre usava,
Divagava
Em seu pensar embebida;
Tinha no seio uma rosa
Melindrosa,
De verde musgo vestida.Ia a virgem descuidosa,
Quando a rosa
Do seio no chão lhe cai:
Vem um'onda bonançosa,
Qu'impiedosa
A flor consigo retrai.A meiga flor sobrenada;
De agastada,
A virge' a não quer deixar!
Bóia aflor; a virgem bela,
Vai trás ela,
Rente, rente - à beira-mar.Vem a onda bonançosa,
Vem a rosa;
Foge a onda, a flor também.
Se a onda foge, a donzela
Vai sobre ela!
Mas foge, se a onda vem.Muitas vezes enganada,
De enfadada
Não quer deixar de insistir,
Das vagas menos se espanta,
Nem com tanta
Presteza lhes quer fugir.Nisto o mar que se encapela
A virgem bela
Recolhe e leva sonsigo;
Tão falaz em calmaria,
Como a fria
Polidez de um falso amigo.Nas águas alguns instantes,
Flutuantes
Nadaram brancos vestidos:
Logo o mar todo bonança,
A praia cansa
Com monótonos latidos.Um doce nome querido
Foi ouvido,
Ia a noite em mais de meia:
Toda a praia perlustraram,
Nem acharam
Mais que a flor na branca areia
SONETO
Pensas tu, bela Anarda, que os poetas
Vivem d'ar, de perfumes, d'ambrosia?
Que vagando por mares d'harmonia
São melhores que as próprias borboletas?Não creias que eles sejam tão patetas.
Isso é bom, muito bom mas em poesia,
São contos com que a velha o sono cria
No menino que engorda a comer petas!Talvez mesmo que algum deses brejeiros
Te diga que assim é, que os dessa gente
Não são lá dos heróis mais verdadeiros.Eu que sou pecador - que indiferente
Não me julgo ao que toca aos meus parceiros,
Julgo um beijo sem fim cousa excelente.Rio de Janeiro, 1848
poesia