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Joe Rosa
Joe Rosa é mineiro, nascido em 54, Resplendor, e criado em Belo Horizonte a partir dos 6 anos. Em 78 saiu de Minas e errou por esse brasilzão de meu Deus até aportar em São Luís do Maranhão em fevereiro de 87, onde pretendia passar 2 anos e foi ficando, foi ficando... Em S. Luís, fez amizade com os poetas da Akademia dos Párias que publicavam, na época, a revista de poesia, "Uns & Outros", na qual publicou alguns poemas. Seu livro de estréia é "NEM TANTO" de 92 (poesia). Em 99 publicou O Gosto Amargo da Cereja (novela). Atualmente prepara a publicação de um livro de contos e um romance. Tem também um novo livro de poesia pronto esperando a vez.
Nem Tanto (1992)
PURA PRETENSÃO
Aprendi que falar é fácil
E árduo o empreendimento
Não sei se quero me ater
A alguma árdua função
Prefiro passar os dias
Em mera conjectura
E esperar que meu ganho
Seja a poesia, sem pretensão
Pura.
TUDO BEM
me recuso dar crédito ao ontem
porque hoje é dia anuviado,
não sei se fui elegante, cavalheiro
o te azaradovamos que é noite
e tudo que é noite
esclarece
os tragos, os uivos
as confissões em rasgos
é algo que me apetece
não fique encabulado
solte sua bailarina
tudo será ontem apagado.
SOU GRATO
quero ter a necessidade
do gato,
se não caça
o rato,
a vadiagem lhe servirá
o prato
SEGUNDA VIA A 200 DÍGITOS
Tem um fadiga
no meio do caminho.Descanse.
Tem uma tensão
no meio do caminho.Relaxe.
Tem um desânimo
no meio do caminho.mexa-se.
Tem uma dúvida
no meio do caminho.Oriente-se.
Tem uma pedra
no meio do caminho.Sinta-a.
É pedra de Drummond.
O PERNILONGO
O pernilongo é um bichinho foda.
ataca em bando.
mas hoje me encontrei com um.
no banheiro.
e estava só.
tentou me atacar. me sugar.
eu o capturei. arranquei-lhe duas perninhas.
e o devolvi ao ar.
ele saiu meio tonto e pousou na parede
com uma certa dificuldade.
aproveitando um descuido do inimigo,
apliquei-lhe um golpe certeiro.
ele saiu voando meio desequilibrado.
tentou pousar novamente.
foi, então, que percebeu que havia perdido
mais uma perna.
mesmo assim conseguiu se segurar na parede.
já se sentia em franca inferioridade.
e estava desesperado.
antes mesmo que se acalmasse
para planejar um último ataque – suicida,
só lhe restava apenas uma perna.
agora era impossível qualquer tipo de pouso.
a última perna se fora também.
foi ao chão.
suas asas estavam intactas,
mas jamais levantariam vôo.
olhei uma última vez para o inimigo agonizante.
coloquei o roupão.
e lhe poupei a vida.
O HOMEM PARTIDO AO MEIO
No caminho da escola havia um homem
partido ao meio
na linha do trem de ferro
continuei meu caminho
com a cabeça embaraçada
em suas tripasEm sonho
no quarto
aquele homem me apareceu
só com a parte de cima
Os urubus haviam comido o seu cu
eu lhe perguntei
porque tinha deixado que o trem
lhe partisse
ele me respondeu
– ora, você não entendeu nada
não foi o trem que me partiu
fui eu que parti
o coração do maquinista
O INIMIGO
Antes eu lutei com o inimigo
dentro de seu quintal.
E no meu rastro sangraram hematomas
solitários.Agora que pulei sua cerca,
posso matá-lo lentamente
NOSFERATU
para Murnau e Herzog
Condenado à maldição eterna
às escondidas em ruelas escuras
como um cão danado que
procura
a bela mulher que em fotografia
fitei o pescoço longo
e silhueta esguia.Sei que a dama que aparenta
frágil e indefesa
será minha última presa.Ao encontro da bela irei
fitar a luz em desespero inútil
depois partirei
morto
mas em nova carne que seu sangue nutre.
CONFISSÕES EM TECNICOLOR
Como poderia eu negar ao grande Deus
ao qual estou ligado por teias púrpuras
desde os gemidos abafados de suor
banhando os corpos de meus paiscomo poderia eu negar o céu
se a santidade é tudo que procuroO próprio Deus me disse
(em sopro para instrumentos de cordas)
inundando de luz o meu crânio
que jamais me abandonariaE presenteou-me com um saco de visões atômicas
que ao mínimo calor se explodem
como pipocas loucas,
e a radiatividade divina
polui meus olhos espantados
com o bonito rosto de Deusse você quiser
eu lhe mostro meu caleidoscópio
UMA PROPOSTA ECOLÓGICA
DISSE A ARAUCÁRIA À
GRALHA
CANTE-ME UMA
ÁRIA
E EU TE DAREI UM
GALHO
PARA MAIS UMA
CRIA
O HOMEM DESCALÇO
Eu vi um homem angustiado pelo seu tempo,
em suas pisadas ficavam dúvidas do porvir.
ele esta sem deuses e demônios
e agonizava sobre a amplitude caótica.
de sua boca saíam dialetos incompreensíveis
com tentáculos de peiote.
havia tentado o encontro com o grande senhor
mas acabou se encontrando com sua própria morte
vendo sua carne se esvaindo em cortes transversais.
ele queria manter contato com a terra,
de sua obsessão saíam novas pisadas
que lhe arrastavam ao labirinto de seus olhos.
ele me disse que estava tudo irremediavelmente
perdido
a grande inteligência já havia escancarado seu cu
e cagado todas as esquinas.não, brother, não se pode mais ficar parado nas esquina
GRITAH
Ok. traga-me do céu um cuspe gelatinoso
e eu lhe mostrarei os berros do sapo
e você me perguntará das odes obscenas
em sachês de bebês prematuros
e eu responderei: é tudo.
Talvez inventarão prensas em gengivas banguelas
e eu lhe mostrarei o sorriso piedoso
de meus antepassados
tudo bem. então mostrem-me o concreto
e eu vencerei Aquiles com minha escova de dentes
Quem já voou sabe que os pés
pesam mais que as bundas
Mas vocês nunca voaram
e por isso as lentilhas lhes são tão penosas
não desanimem agora que tudo ficou mais claro
apenas tomem cuidado com os olhos dos
marimbondos
joguem-lhes beijos fingindo serem amas-secas
dos bebês prematuros
Mas se tudo isso lhes é confuso
e indigesto
eu traduzirei tudo para o tupi
Depois sairemos para um rolé
e toda humanidade verá minha lucidez
ao ouvir os berros do sapo
DEGUSTAÇÃO
eu vi meu sangue
servido em fina porcelana
para uma orgia de insensatos
todos degustavam indiferentes
o teor de meus malogros
um sorriso de misericórdia
pendia dos lábios de Irene.
HEMOCROMIA
o sangue que sai de um
corte
sai também de um
poema
a cor de um é
vermelho
a cor do outro é
espelho
O DIA EM QUE OS DEUSES VISITARAM O SERTÃO
I
PAISAGEMMão esqueléticas de bruxa malvada
Secas esturricadas
Sem uma gota de seiva
Para aliviar-lhes a sede.O sol fora impiedoso demais com elas
E o cacto mesquinho roubara para si
todas as fontes e riachos.
Cresce imponente
Mostrando todo o rancor da solidão
Na simetria de seu corpo.
Se crucificando, flagelando seus veios
Com os espinhos fincados em sua carne.Como sempre os abutres rodeiam
De longe ouvem-se os gritos dos
sobreviventes,
Subviventes berrando em diapazion
Toda a loucura de sua sina.São os últimos a desfalecerem
Comerão até as últimas pedras
Eles precisam viver
Pois enquanto soltarem seus berros
Haverá zumbis clamando pela ressurreição
Fiquei embriagado de realidade
E tive medo, pânico
Se ficasse muito tempo ali
Sugariam todo o meu caule
Eu também secaria com seus berros, uivos
Seus gritos metálicos de gargantas secas
II
CÂNTICO DE LAMENTAÇÕESVoltei para onde os filhos de Jacó
Clamavam pela terra de promessa, da desgraça
Desolada pela falta do pai, filho e espírito santoLá estavam todos os profetas
Clamando, reclamando, esbravejando
Falando palavras doces e amargas
Vomitando suas entranhas
Encharcados de desespero, ódio, esquecimento
E puro louco prazer.
Pai, se possível, passe de nós esse cale-se
Contudo deixe nus em pazQueremos pão, queremos comida, queremos água
Queremos terra, queremos casa, queremos sexo
Queremos brincar de roda, queremos dançar
Queremos desbundar, queremos o sorriso do vizinho
Queremos a pureza da criança, queremos as drogas
Queremos ver-te verde e manso
Queremos cantar a nossa libertação de corpos nus
Queremos sentir o aroma de teu sexo e beijá-lo
Queremos ver os corpos sensuais dos anjos e roçá-los
Queremos os ossos dos generais e apagara o estopim
de suas guerras
Queremos cega surda muda a ciência sem brio,
atômica e desvairada
Queremos derrubadas as grades da sórdida justiça cegaQueremos ouvir o teu canto de cisne
III
NO LEITO DE APOLO E AFRODITE
No meio de todo aquele litúrgico agonizante clamor
Estava uma deusa de pele morena
E pelos dourados de seu corpo
Saía um cheiro provocante doce de sexo meninoEu queria seus olhos
seus seios
sua boca
sua buceta
suas pernas
sua fala
sua bunda
seus dentes
seu cu
seu hálito
seus cabelos
seus pentelhos
seus pelos e ouvidosEu queria beijar seus olhos
chupar seus seios
morder sua boca
encoxar suas pernas
afogar sua fala
lamber sua bunda
ver seus dentes
enfiar o dedo no seu cu
inspirar seu hálito
me perder em sus cabelos
me cortar em seus pentelhos
me esfregar em seus pelosE falar palavras indecorosas nos seus ouvidos
Sussurrar palavras indecorosas nos seus ouvidos
Gemer palavras indecorosas nos seus ouvidosA fantasia fizera-me escravo do desejo
De vê-la com olhar ferino cheio de dengo
Falando baixinho em meus ouvidos
Sussurrando baixinho em meus ouvidos
Gemendo baixinho em meus ouvidos
Palavras indecorosasSeus olhos baianos matreiros
Seguiam-me por entre as sombras.
Meus olhos vermelhos sacanas
Com toda pureza
Brincavam desesperadamente
Com aquela filha do solOfereci como holocausto um poema em seu altar
Ela leu meu cio de poeta agonizante
Meu cheiro chegou até seus poros
Seus olhos me penetraram todoEla pegou-me pela mão e fomos
Para onde pousara um raio de Zeus,
Uma velha estação abandonada
Que nunca deixa de recolher
Os lunáticos poetas errantes
Que por ali perambulam cambaleantes
Parindo poemas molhados de suor.A velha estação nos cedera sua calçada
Banhada pela nebulosa dos astros.
Para um orgia dos deuses
Afrodite nos convidou
Cedeu-nos seu leito onde as pedras se ofereciam
Como eróticas macias almofadas.
Éramos dois belos animais no cio
Já não havia mais população
Apenas camas silenciosas, sussurrosOs filhos dormem juntos da pele materna
Da Ligth sobraram os esqueletos sombrios e cifrões
apagados
Sapos e grilos exibem seu cantocoaxar
Dizendo que está tudo bem
Vai fundo– isso mais mais mais maais maaais maaaais
– aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiEu teria que pegar o próximo trem
Meu sexo fraco já fora fisgado
Meus poros estavam viciados em seus cheiroela percebendo minha menina aflição
Apenas disse
Adeus, poeta,
Encantada.
TRÁFEGO PARALELO
Nas vias púbica urbanas
Correm velozmente
Na contingência dos atos
Bucetas molhadas
Caralhos erectosMas a ordem é contra os fatos
NÃO OUÇA O QUE O PAPAI DIZ
Deixe que as linhas tortas,
Por onde escreveu a desvairada pena de deus
Te conduzam para os mais perniciosos caminhos.
Aquela maléfica e perigosa corrente
Que vive a roçar sua cabeça
É a mais pura iluminação do espírito santo
Querendo pôr um pouco de luz em teu caminho.
Ponha tua carinha pra fora e repare,
Se for manhã ensolarada
E tiver chovido na noite anterior,
É um ótimo dia para uma caminhada no pasto.
Se é frio e nublado,
Tome um pouco de cuidado com as pessoas,
Elas ficam soturnas.
Nesse caso,
É melhor acatar a ordem de Peter Orlosvsky
E ir vender mijo na praça,
Pode ser que mude o clima.
Agora, se for noite,
Não importa como esteja o tempo,
Noite é noite.
Vá até a sorveteria e compre um sorvete de tamarindo.
fique a lambê-lo
Como se estivesse possuído
De um deus safado.Você terá tempo para maquinar tudo.
PARA FRENTE É QUE SE ANDA?
Disse Deus a Ló e sua família:
– Sigam em frente,
não olhem para trás.
A sua mulher olhou e se transformou
numa estátua de sal.O otimistas me dizem:
– Nunca olhe para trás,
sempre para frente.
Olho e lá estou eu.
Sem sal, indiferente.
UMA PUTA PARADA NA ESQUINA
uma puta pára na esquina
à minha espera,
olha pra mim e diz:
– Vamos fazer amor?
de sua buceta sai uma multidão de deboches,
não pude fazer nada
a não ser arrancar meus olhos
O BANQUETE
quando eu morri
foi oferecido um grande banquete
onde apareceram vários abutres
todos se desmanchavam em póstumos elogios
houve uma grande disputa pelo meu cu
depois um longo lamento
pela bosta derramada
FLOWER POWER DE ARAQUE
chega de flores e sonhos
de energia mental
vá para o teu restaurante
naturista
cultivar tua magreza
e alimentar tua palidez
quanto a mim
prefiro o albergue
como merda mas tenho visões
viva Allen Ginsberg
mulheres
molhadas?
melhores
AURORA
quando ela quis
já era cedo.
eu estava com a cabeça
amarga
sorvendo sóis
e olhos de mil luas.TRISTES TRÓPICOS
Enquanto caminhava
com a cabeça
no Olimpo
encontrei Medusa
com a cabeça
no limbo.Lhe perguntei o que
havia acontecido,
o que fazia no
lado sujo da noite.Ela me respondeu:
– Não aconteceu nada
estou como você
como todos os mortais
com a felicidade de
serpentes mortas na cabeça.
SALMO DA VOLÚPIA
Eu sou da minha amada
E ela tem saudades de mim
Vem, minha querida,
Que te espero no leito de delícias
Preparado para acolher todo o vapor
Que de tuas coxas emana.
As paredes de minha câmara,
Outrora brancas, são agora carmesim
Pois o meu corpo é chama.
Te deixarei em espasmos
Vermelhando a carne nívea
Teus gemidos invadirão a cidade
E todos se entregarão à lascívia.
Passearei em teu corpo,
Relevo de curvas sinuosas,
Em tua boca farei longa pausa
Descansando-me em teus lábios
Que tem a textura da rosa.
Com a língua rodearei teus seios
Num vagaroso contorno,
omo quem desenha um anel
Até alcançar tuas tetas
Que em meus lábios famintos
Terão a doçura do mel.
Depois de saciado,
Mas ciente de outras iguarias,
Tomarei o rumo sul
Fazendo um longo caminho
Até encontrar teu umbigo
Que é taça do mais puro vinho.
Eu tua cintura de leveza fina,
Onde reside a bailarina,
Abraçarei bem forte,
Mergulhado em teu calor,
Entregando-me à própria sorte.
Ao encontrar (tua) púbis
Qual margem de um caudaloso rio
Já não estarei tão dócil,
O teu amante suave e meigo
É agora leão no cio.
Em carne macia coberta de veludo
Como um delta escorregadio
Descobrirei-me em teus negros pentelhos
Deslizando a língua trêmula
Que louca encontra teu tenro grelo
E ali sem nenhuma pressa
Farei uma longa carícia,
Até que você enlouqueça.
Agora, quando muito próximo
Do desejado gozo final
Darei um desvio travesso
Sabendo que ao longo do regaço
Há fontes de intensa delícia
Onde, em êxtase, me submerjo.
Em tua voluptuosa bunda,
Maçãs gêmeas enfeitiçadas,
Me agarrarei como um náufrago
Que não carece ser salvo.
Afogarei-me em seu poço mais fundo
para depois ressurgir-me em delírio
De quem conheceu outro mundo.
Tomado de frenesi por inteiro
Retornarei à fonte do desvio
Como que indo ao encontro
Do suspiro derradeiro.
Estarás mergulhada em caldeira,
Uma serpente em convulsão,
Querendo ser tragada inteira.
Chamando-me, doida, ávida,
De dentro de tua buceta
Linda, cálida.Vem, minha querida,
Que te espero
No leito de delícias.
O Gosto Amargo da Cereja – Novela (1999)
O Gosto Amargo da Cereja é um livro que trata da fragilidade das relações. Embora sua trama esteja centrada na aids, não são as ações diretas desse vírus nefasto que protagonizam as ações. O que interessa aqui são as diversas e distintas reações provocadas pelos motivos da doença.
É muito fácil alguém chegar em casa e dizer para o parceiro ou parceira que está com gripe, hepatite ou uma outra doença infecciosa, mas chegar e dizer que está com aids é bem diferente, principalmente se a pessoa não usa drogas injetáveis e nem tenha passado por uma transfusão. Nesse caso, a primeira preocupação do outro não será o estado de saúde, mas como contraiu a doença. Mas será mesmo essa a primeira preocupação? não se sabe, é nessa hora que a relação ficará exposta. Se ela tem o seu calcanhar de Aquiles, é provável que tudo desmorone. E a família, de quem guardamos nossos segredos íntimos para não causarmos embaraço? E o círculo de amizade, onde nem todos precisam saber tudo a nosso respeito?
Essa é a discussão colocada. O número de pessoas contaminadas pelos sentimentos provocados pela doença é infinitamente maior que o número de doentes. "Mentes sãs em corpos sãos", aqui, deixa de ser verdade. Ë importante perguntarmo-nos se estamos procurando uma vacina para o espírito, na mesma proporção em que a medicina busca para a doença.
TRECHO
"Claudia vinha brincando com Alexandre. Os dois disputavam quem tinha mais carros. Ficavam olhando para o movimento do trânsito e dizendo: "aquele é meu, esse é meu, é meu ...". Apropriavam-se de cada carro que passava. Paulo olhava, melancólico, a paisagem, as pessoas, tudo que passava pela janela do carro. Ficava imaginando por quanto tempo ainda poderia desfrutar daquela paisagem a que estava tão acostumado. A idéia de ser um soropositivo, ia alojando-se em sua mente. Não temia pela própria vida, só queria que Claudia saísse ilesa e criasse o filho, isso já seria uma dádiva de Deus. Era tudo que queria, que a mulher não tivesse qualquer problema, nem que viesse a saber de nada..."