sousandrade4
Sousândrade

HARPA DE OURO

3a parte
 

186 -Onde estás Isabel? "Na tua alma."

-Isabel? -No teu coração."

-Porém, quem responde a esta calma

Em que os pensamentos te vão? -

"Família e luz tua, tua palma

E que contigo sempre estão."

187 Oh, "Isa!" que és "diretamente"

O bom caráter de mamá,

Meu pseudônimo dos contentes

Dias doirados doutra manhã.

Que é tua agora -onipresente,

Eis o amuleto: hymo an.

188 Mamãs fazem votos delírios:

Cortam seus cabelos, levar

Vão ao Deus-Jesus dos Martírios;

E em romaria a Ribamar

Pés descalços, no ombro o seu lírio.

Da morte já salvo, mostrar.

189 De Mount-Vernon aves canoras,

Escutas-as também, Isabel!

Em nossa alma fazem auroras

Como o d’aliança teu anel

Sentir-se no dedo: a vitória

Tem-te no equador o docel.

190 Vais das borboletas à caça

Acompanhada de Beatriz

E na mangueira (da desgraça

Um qual futuro mais feliz)

Fulge uma luz: a luz se faça

Amor, que Oromaso bendiz.

191 Hão trombas como os elefantes,

Talvez de mor força moral,

As borboletas estelantes

Qual almas em luz areal:

Aquelas dão guerras ruidantes;

Esta glória a Plato e ao rosal.

192 Lookinglass ?... quão ferinos zelos!

Despertar serpentes no Éden!

Do que os tão luzentes espelhos,

Antes pranto e ausência... oh! meu bem!

Deixem-me da noiva os desvelos;

Tomem de jacina o refém.

193 Tratas d’oeluros, de p’riquitos:

E à minha porta, "You love bread"

Dizer sentadinha... infinito

Malicioso, o rir lindo e red...

Tu fazes o mundo bonito,

"Isa"de mamã -oh! my head!

194 Quando a Garibaldi-Mavorte

Cantando passarinho veio

Do sol poente, à hora da morte,

(Dizem) da Liberdade o esteio

Tombado sorriu: a consorte

Alma de Anita -o levou, creio,

195 À eternidade e qual me levas,

Vestida de branco cetim!

Flores das nossas puras selvas,

Grandes harpas de oiro, de si...

-Lâminas ?... do ar?... Deus que as elevas

Volve-as a dóctor Guilhotin!

196 Da revolução eu Saint-Just,

Eu Robespierre, haverei

Pedras... de Vitória... me custe

Pão de justiça, oiro de lei;

Não cofre em que o mundo discute,

Não mundo onde aos cofres eu dei.

197 És tão sublime de verdade!

Sp’ritos guiam, ó Isabel!

Oh, incendiada divindade!

Como ao ar voam pombas sem fel

So soft! É inveja a humanidade,

Não is... tens no teu nome Abel!

198 E foste? ai! paraisal gloriosa,

Provocando a todos sgrimir, -

Morra quem tocar nesta rosa!

Qual madalenita do rir,

(O riso-céus!...) voz tempestuosa

Te ordena aí parar! Ao porvir

199 Do grande amor! o que redime

De amorinhos, côrte letal:

Ao grande amor que é como crime

Hóstia sagrada, hóstia fatal,

Pela inteligência, sublime

Antes que à inocência do mal.

200 Oiço... até o irmão teu suicida

Jovem gênio s’ergue por ti:

D’Emil lendo os cantos de vida,

Qual dele longo eco te ouvi:

Oh! da pátria, musa querida -

Lookinglass ?... Vinganças de mim.

201 E condutor do cego Omhero

Foi o discípulo amigo meu:

Mais o choro e mais desespero

Do quanto áurea Amarca perdeu:

E todos partimos, antero -

Ora és tu, o condutor meu.

202 "Ai! ai!" retinir s’andorinha

Pelo ar de cristal: mais veloz

Que os pombos de Célia mesquinha,

Avisa que a prendam: feroz

Minha alma tremeu pela alminha

Dela, sempre que oiço-lhe a voz!

203 Deixem-ma infantil demência,

Em toda inocência animal

E que é do paraíso a indecência

E a flor que a alma esfolha moral:

Deixem-ma a tão breve existência

Da luz (o riso-luz!...) fatal!

204 Dedos de rosa há ainda Aurora

D’heróicos tempos omheriais

Abrindo as portas do dia: a hora

Do leite a espumar nos currais,

Do orvalho e da fonte sonora,

Da alegria e a bênção dos pais.

205 Deixem-ma aurialva gloriosa,

Sempre-menor, do cidadão

A filha-família, a aura, a rosa

Florindo em cada um coração,

Fazendo d’Amarca formosa

Um só amor. Oh, a nação

206 D’alma, que está em toda parte

Onde esteja, aonde ela vá!

A senha é Virgínia e não Marte;

A festa é Jesus em Caná;

Noivos pés firmes: em tal arte

Olhai Fênix áurea. De lá...

207 Surdida das cinzas da esposa,

Mesmo o semblante, juvenil,

Da luz do relâmpago-rosa

Que treme ao horizonte brasil:

A virginal da pátria, que ousa

Ser a lei nova e finda a vil.

208 Lei nova, Amazonas grand nortes

Olhando do equador ao céu.

Império crauacanga mortes

Se a, do sul, cabeça perdeu:

Jovem República pés fortes

Belas reouve-as, Montevidéu

209 Irmã mais velha -oh, quão preclara!

Riogrande táurea cerviz

A cabeça ao tronco emendara,

Com sangue altivo a cicatriz:

Tirania, decapitara;

Liberdade "à vida!" lhe diz.

210 E és a lei nova: nela creste,

Ó noiva minha! oh! Isabel!

Ash new dress?... änd old one!" Deste?

Aceito o tão brando cintel...

Não star Deus no drama celeste,

Quem dirá? E após tanto mel

211 Decretar, de mim longe cresças

"Menina e moça"; e o coração

Longe e às leis, que deste, obedeças

Educado à ausência e paixão

Infinita... assim amanheças,

Ó dia da volta à união!...

212 Cores do teu peignoir do banho,

Miosótis transformado em flor,

Borboletas mil e o tamanho

Astral orelhinha e áurea cor

Cobrindo-o: no doce emaranho

Lembram dias do nosso amor.

213 Luz, luz -só têm eternidade

Os que irradiaram aos céus

Través térrea humanidade,

Tenebrosos humus-ateus

Riqueza -de fertilidade

Donde o pão, que nutre aos de Deus;

214 Salvada minha e pão sagrado

De rosa de luz e verdor,

Que eu vejo em teu leito a meu lado

Qual um vivo almoço de amor

À mesa coberto; e esfaimado

Da hora à espera o banqueteador

215 Deus o Infinito, sempre-hodierno,

Abismo-Entranha universal

Onde os astros giram internos -

Incompreensível? oh! qual!

Teus olhos atestam o Eterno

E este amor indica o Eternal:

216 E esta harmonia e o pátrio abrigo

Símbolo teu e em que te amei:

Por ela vindo, eis-me contigo

Com quem república salvei

De conspiradores -ó inimigo

Anjo, das orcamidas! Lei

217 Do resplendor sol (palpitante

Coração) que à nuvem corou

Qual o apagassem e levante

Novo ao diorama iluminou

Folhão, veludoso-verdeante

Que a um leque de virgem ornou.

218 E compressa a terra espumeja

Em formas viventes de amor

Quando o sol co’os raios a beija

E do seio arranca-lhe a flor -

Oh! como o horizonte lampeja

D’alma ao cair de um gladiador!

219 Ficou-lhe a glória, essa eterna alma

Pairando em suas belas ações:

Noite e da luz d’acesa palma,

Que a Moisés guiava, os clarões;

a stelip’ra noite, que exalma

Ao dia as novas gerações.

220 E em Deus desbrocham as flores;

Resplendem os homens em Deus

Co’a índole, ou bela ou horrores;

Quanto sai da terra entra em Deus,

Mocidade, ledice, amores.

Volta à terra quem sai de Deus.

221 Quando eu desse etereal paterno

Dentre relâmpagos voltar,

No seio terreno materno

Então me verão repoisar:

Que fiz tantos anos no Eterno

Se não, que existe, confirmar?

222 Já seguindo as garças mais puras

Voadoras do ar através,

Ou do relâmpago às alturas

A que o horizonte treme: e o vês,

Mar vanzeiro às dobras escuras

Destes rochedos. Firmes pés

223 Da infância eu saltador-Apolo

Afeito ao sagrado pomar,

Por toda a vida amei o colo

Em adolescente pendoar

Quando a Musa encarna: e eu lh’imolo

A adoração da harpa do lar.

224 Armas com que fiz a república

Pontas voltaram contra mim:

Antes deixasse a raça lúbrica

Em seu hediondo chifrim,

Do que estar Libertas tão pudica

Envergonhada. Mas eu vim.

225 Das chamas de ardentes fornalhas

Do rei Nabucodonozor

E a estátua de oiro s’esmigalha

Só aos firmes pés do Senhor:

Sou das pavoneadas gralhas

O inimigo, o dependor.

226 E ordenaste à ciência o strabismo

Da desgraçadinha infeliz

Septênia de cáftens e abismo

D’inveja e punhal, que à feliz

Rival toda bela e pontismo

Seguia assassina. Oh, bendiz’

227 Deus universal, a quem ame

Sentir em tuas leis divinais!

E ordenaste linchado o infame

Imoral Basílio. Mortais,

Não caia a obra (se proclame)

Dos cruzadores sociais.

228 E eu do capitólio sou ganso,

Da Liberdade o trono-amor:

Na paz da América eu descanso,

E a guerra eu sou e a magna dor:

Beijando teus cabelos, tranço

Tuas asas do sol-beija-flor.

229 Triunfador o vês romano,

Do capitólio altivo descer

O Brasileiro-Americano

Honrado como tem de ser

Cada um eleito soberano

Que te dê mais resplandecer:

230 Venturosos dias de outono

Que de um bom caráter há luz!

Parando em saudoso abandono

Abençoam quanto os seduz -

Róseo crepusclo e horas do sono

D’eternidade, a magna cruz:

231 Término à da harpa corda negra;

Do oiro virgem há vibração

Melhor, que há luz e ao bardo alegra

A hora final do coração;

Solar borboleta que integra

A tão gentil revolução!

232 -O ano da graça, oitenta e cinco,

Voltando à pátria, os irmãos meus

Velando teu berço e o antigo

Mundo incendiado: de Deus

Nasceste para mim. Quantos brincos

Auravam d’esperas por teus!

233 E eu te pressentindo -Libertas

Metamorfoseal redenção

De tanta crisálida às festas;

Porém, nunca a transformação!

Ó genial musa! eis que às sestas

Encontro-te: és a solidão:

234 Também as da Cítia já fôra

Cravado o meigo Prometeus

E em cítio vapor... qual outrora

Marselhez salvou-me dos teus

A quem dei o fogo da aurora...

Também aqui preso eis-me um Deus;

235 Sagrado mar trouxe-o ao Deserto...

Onde encantados ’stamos nós?

E sempre longes, sempre pertos,

Nesta paixão dos sempre a sós...

.......................................................

-"Congée." Um beijo-céus abertos.

Eia! cerra o véu! tempo atroz!

236 -Peneu! Peneu! Súbito, Apolo

Indo a prender Dafne, a correr,

Estaca ante um, surto do solo,

Flóreo loureiro, imo o querer!

Quebrando ele um, qual virgem colo,

Doirado ramo rosicler

237 Fêz sua coroa gloriosa -

Oh! a amante não tocada a amor!

Oh! a mais bela! a ideal esposa!

Morta à paixão em que há terror,

Dafne! ó Dafne! ó láurea! ó rosa!

Que adeus sagrado-encantador!

238 A flor de seu pai, porque as margens

A sós não ficassem do rio,

Soltando a áurea trança às aragens

Na Metamorfose sorriu

À bênção paterna e às miragens

De amor - E o laurel existiu.

239 "Te à vista," diz mãe. Cruenta

Separação, Deus!... Crescerá.

Verso de sílabas quarenta

Já no Infinito escrito está

Nessa harpa de oiro a amar sedenta

Que ainda esta serra ressoará.

240 E os olhos seus relampaguearam

Áureo-negror, cóndoro vôo -

E nem adeuses resgataram

De amor nem fria não tocou -

Olhos terríveis! umectaram

Ao pranto, que os não separou,

241 Mas interrompe a história ardente

Do incompreendido amar fatal

Que desde o berço a alma presente

Até que o encontra. Unem-se, ideal;

Dos fins do mundo, ouvem-se; ausentes,

Vivem unidos; co-leal:

242 Um duplo altar, e ajoelhados

Da imagem sua à adoração:

Vivem d’esp’rança os encantados,

Binária estrela, uma a atração;

Da fé nos portos ancorados

Do Infinito na imensidão.

243 E qual das nuvens negrejantes

Abre o relâmpago através,

N’alma estão cíntilas radiantes

Das fébreas cores isabéis

E quem fulminam qual instantes

Da morte. E ouvir-se: ai "linda Inês!"

244 Róseas harpas já vieram

Do coração d’Isabel

Dar saudades.

De quantas sortes lhe deram,

Sorriu tão só às verdades

Deste anel.

245 Mais do que a toda a montanha,

Sorrir tão somente a amor,

É ser alma

Que se funde e que s’entranha

Na eternidade, áurea palma,

Áurea flor:

246 Dos banhos nessa ledice

Da boa vinda e do adeus,

Banhos d’Iris:

Da última doce meiguice

Prova da hora de partires -

Ai dos meus!

247 Ela indicou-me o caminho,

Que amanhã devo seguir,

Ou a morte...

Sigo-a eu, meu novo ninho,

Meu amor, minha consorte,

Meu porvir.

248 Losangos d’aliança -ao dedo

Olhando-me o seu anel,

Deu-me o riso

Em que há pavor e há segredo

Dos encantos do paraíso, Isabel.

249 E por que de tais sorrisos

Nem eu me lembrasse mais,

Desde quando,

Hei dor ignota; improvisos

Hei minha alma lacerando

Risos tais.

250 O riso, Deus! d’alma em pena;

Risos d’existência ao fim,

Dolorosos

Da doçura nazarena,

Tão sagrados, tão saudosos,

Ai de mim!

251 Como ao umbror da tempestade

Do homem a alma, a virginal

Luze e dela

Relampeja a claridade

Que transforma nessa estrela

De luz tal

252 Que resplande das tormentas

Ao través da cerração;

Riso esp’rança.

Das belas tristes, sedentas,

Resignadas desesp’ranças -

Ora, então

253 O de sangue último beijo

Na arbor vitae lh’encravou

A existência

Das saudades, dos desejos

E que amparam lá n’ausência

Quem amou.

254 Agora, notícias dela,

Pensamentos seus me vêm,

Me rodeiam;

Meus vão-lhe todos. Quão bela

Sagrada ausência! Pranteiam

Sumo bem.

255 Que a democracia pura

(Essa que chamam "feroz")

É do Deus

O natal d’honra e candura,

Quando há prêmio Prometeus

... Sim, de vós...

256 Divinos ontens. Céus abaixo,

Desço; fui cimos, fui vulcão:

Desço, às planícies percos e achos,

Mas sem dispnéia ao coração

Do subir da glória qual Naxos

C’roa d’ariadna. Solidão.

257 Vejo-a toda hora, à ubicuidade

Nos céus, na terra, em meu hotel,

O mesmo olhar e a divindade,

Quão isolante e a alvura-mel!

Mamã dizia "ser a lealdade"

E a fronte queima-me o laurel.

258 Tavões de amar pungindo ao gênio,

As artes gloriosas estão:

Verdeante murta, auros edêneos

Crespos, Augustas beijos dão

De amor sagrado: e ao peito aêneo

Escutas rugir o vulcão.

259 Depois é fortúnio quem canta:

Nunca eu diga quem ouso amar -

Tão alva, tão alva garganta

E o luznegror crespo e o olhar

Qual zona-tórrida abrilhanta;

E a branca espuma em verde mar

260 Mater! Mater reveste o monte

Verdicler, magnólia alva a abrir

Opalino leque o horizonte,

Pára-raio os céus a ferir;

Quão láctea, oh quão láctea fronte!

Zona-tórrida musa advir!

261 Negrores crespos transluzentes

Martírios como os de mamã;

O olhar brilhantes negros; dentes

Toda a abrir rindo. Oh! talismã!

No Avenir tomou-me afro agente

Por capitain’ du batiment.

262 E o só negror e o branco branco

Da zona-tórrida, eis a maior

A influência maior que um franco

Peito haver pode. Tanto alvor,

A um misantropo é tal barranco

Que o faz retroceder a amor.

263 Sem d’interesse o presente, o astro,

Dos céus de si, a iluminar,

Alvura de Juno o alabastro

E em covinhas riso a beijar:

Pressentes das formas o rastro

À irradiação. Eia! voltar!

264 Láureos losangos, folhas meigas

Tecei c’roas ao triunfador:

Mudem piérides em pegas

Saltitantes, horror! horror!

Musa do bom caráter, chegas

À boa hora de luz e dor.

265 Perfaz’ tua imortalidade

Tu mesma co’os encantos teus;

Faze paixão, glória e saudade,

Que o novo-mundo creia os meus

Da nova crença, a Liberdade

Alma transparente de Deus.

266 E a formosura onipotente

Qual o astro das verdes manhãs

Do Dentista, em dia contente

D’escolinhas mistas-irmãs

Com que honrei eu, quando Intendente,

Libertas, a que honra-me as cãs.

267 Cãs de Josefus, noivo ancião

Da cheia de graças, a moça

De bendita alvura formosa,

Mater! Mater! a um coração

Que andar veja a terra dolosa

Dos homens à transformação,

268 Maio -o mês sagrado aos Maiores,

A Apolo, à Santíssima Flor

E à morta que chorava: a adores

Comigo, oh, tu que és-me favor!

Que esta alma de tua alma aprimores,

Gêmeos, signo da hora da Dor.

269 Solenes calmas, oh! iandara!

Família em tranqüilo viver,

Desse que à pátria tanto honrara,

Ó Musa, ó linda a mais não ser!

E quanto amor frutificara

Arbor vitae, bem podes ver.

270 E como à de Deus contemplada

Disse o amoroso ancião:

(Olhos baixou a toda amada)

Oh murcha à minha murchidão!

E dessa família adorada

Fêz-se a ideal, constelação,

271 Sagrado alvor qual nunca eu vi

Nem nos céus que alveja Galáxia:

Que surja o novo homem desta hástia

D’alva magnólia, a flor de ti.

Onipotente alvura láctea,

Negror crespo e o olhar. Ex vi

272 Dessa esmeraldina miragem

Que apaga-se quando encontrar

Creras, do mundo na voragem,

Doce estação de puro amar

Onde esqueça-se a vil carnagem

Da terra. E aí finde o pensar.

273 Mater! Mater! musa do amor,

Eu agradeço as de teus hinos,

"Verduras de estilos" divinos

E o tom moral, que é o do cantor

Seguro de vida. Meninos,

Guardai o culto desta flor.

274 Assim, pela janela fora

Lançando dindinha a coroa,

Encanecera a essa mesma hora

A sempre mártir, sempre boa,

A rosa de oiro e redentora

De Leão Treze. A bela Coroa!

275 E o selo viu a esta e Vitória

Civis, mulheres-honras suas -

Oh! mais que dos homens a glória!

- Tronos: ou desça o andar das ruas;

Ou morra à vergonha da história -

Quão belas destronadas duas!

276 Ontem tão linda; feia agora:

Fotografai ontem: guardar!

Os céus reproduzem aurora,

Que ajudeis o globo a girar:

Refratário é o gênio: s’enflora

A terra; e não há flor o Lar.

277 Doce tamarindeiro! Entoara

Dela a ave os trinos a advir-

Augustas calmas, oh iandara!

Quero à sombra as sestas dormir -

Mater! Mater, quanto encantara

O som do teu límpido rir!

278 Talheres de oiro, ao aristocrata

Almoço estou. Democracia

No jornal, lembra a intemerata

Nau de Páris... só carecia

D’estivador-curtidor. Grata

Berlim, como é Faure a harmonia!

279 E um Mac-Kinley imberbe que a pérola

Das Antilhas liberta ao mar!

Perdida a vi queixosa-quérula:

Bradei-lhe, eia! a sós! triunfar!

E na imensidade áurea-cérula

Dos céus de Monroe ei-la a brilhar!

280 Vítimas do Sp’rito monarco,

Tal sem família estou, sem Deus.

Remetido em cítio barco...

Os mares prendem Prometeus,

Se qüinqüênia Bessy qual arco

Não vibra contra imigos meus.

281 Agora , ouve o fim, como um credo:

Nas ilhas do Diabo há cajás;

E Dreyfus lá vive em degredo

Por ordem de Pôncio-Caifás...

"E o Cristo?..." É de guerra o segredo:

Mas, não podendo ir o voraz

282 Que amostrou à luz... já estás rindo!...

Lincharam, por ele, um judeu...

E o ódio franco-prussiano eis findo

Histórias tais Zola entendeu.

E o sec’lo, que vai-se esvaindo,

Luz de moribundo acendeu:

283 Ao desarmamento, dentre hinos;

À Havana, que se libertou;

À Ilha Fiscal, fulgor divino,

Que o leque à Princesa quebrou,

Rosa de oirozão sec’lo o ensino

Dá dos jardins onde enflorou:

284 Melhor que o de luzes, de coroas;

Seclo da Verdade e de paz,

Do velho Deus, das virgens boas,

Do civilizado "rapaz",

Do septenal Bielas às loas

Do fim do mundo... de Satanás;

285 Que o da democracia pura,

Esse as Musas e a Exposição

À eternamente formosura

Do jovem moral coração:

Século... d’áurea sepultura

Dos "insignes", da Revolução.

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fonte de Harpa de Ouro: Literaturbank
 


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