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Murilo Rubião
Quem disse que a perfeição só a Deus pertence?
O que leva um cara - eu - já bastante ocupado em escrever e reescrever seus próprios textos, a sentar diante do computador e digitar longos textos de outro escritor para colocá-los num site de literatura? Respondo: tesão. Porque Murilo Rubião não é qualquer escritor. Esse Mineiro, nascido em 1916 - não me ocorre agora o ano de sua morte, o que não têm importância - na cidade de Silvestre Ferraz, hoje Carmo de Minas, escreveu como ninguém escrevia em sua época. Seu primeiro livro, O Ex-Mágico, lançado em 1947 se abateu sobre críticos e literatos de então como uma coisa totalmente estranha. Seu texto teve o efeito dos pergaminhos engolidos pelo profeta Ezequiel. Quando mastigado teve um gosto diferente, talvez amargo, mas depois, bem depois, ainda no estômago em processo de digestão, se apresentou doce como o mel.
Rubião acreditava na perfeição, por isso chegou a passar 26 anos escrevendo e reescrevendo O Convidado, um de seus tantos contos antológicos . Em 88 já fazia mais de três décadas que trabalhava em uma novela, O Navio, e não sei se chegou a dar o trabalho por terminado antes de sua morte. E mesmo com tanto labor e um texto límpido, passou décadas recebendo nãos de editores, o que não sei se é alento ou desalento para quem vive hoje tendo seus trabalhos devolvidos por editores.
Mas vamos deixar um pouco a tietagem e passar a um de seus textos que, pra mim, atingiu sim, a perfeição. Vamos começar com: Bárbara. Depois virão outros: